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Mais rigor contra motoristas bêbados no trânsito 5/7/2010 - |
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Por Jesseir Coelho A Justiça está endurecendo cada vez mais o tratamento dado ao motorista que, ao dirigir embriagado, provoca mortes no trânsito. Recentemente, dois processos foram transferidos da 5ª Vara Criminal de Goiânia, que cuida dos acidentes de trânsito, para a 1ª Vara Criminal, onde são processadas as ações dos crimes dolosos contra a vida. O entendimento é que, ao dirigir sob efeito de bebida alcoólica, o condutor assume o risco de provocar a morte das vítimas, o que caracteriza dolo eventual (o agente não quer o resultado, mas assume o risco de produzi-lo). Os acidentes enquadrados como homicídios dolosos eventuais, 5% do total, passam a ser julgados pelas regras do Código Penal, que prevê punições mais severas. Nos Estados Unidos, quem provoca uma morte no trânsito dirigindo sob o efeito de álcool pega vinte anos de cadeia. Acredito que o endurecimento se dá também porque a sociedade está cansada de ver inconsequentes motoristas bêbados matando pessoas inocentes no trânsito caótico de nossa Capital. Bebuns que merecem ir para o xilindró, como diz o matuto. Por outro lado, acredito também que o combate mais eficiente aos acidentes mostra que não é o simples endurecimento da legislação, mas a certeza da fiscalização e punição, que ajudam a coibir o comportamento de risco. O cachaceiro enche a cara de pinga, pega o carro e sai pelas ruas e avenidas da cidade em alta velocidade, dando cavalo de pau, cantando pneus, furando sinais e atropelando pessoas e abalroando outros veículos automotores, num ato totalmente irresponsável e criminoso. Motoristas com problemas de bebida alcoólica é somar riscos. As estatísticas preocupantes mostram que o número de autuações em 2009, em todo o Estado, chegou a 7.122. Somente em Goiânia foram 3 mil. A cada 1 hora e 12 minutos um motorista foi flagrado dirigindo embriagado em Goiás no ano passado. O número de pessoas alcoolizadas ao volante chegou a 7.122 em todo o Estado, mais de 3 mil delas em Goiânia. No total, foram abertos no Estado 2,5 mil inquéritos contra motoristas bêbados, 294 deles na capital. Os homens lideram flagrante de embriaguez ao volante e entre os motoristas autuados por dirigir bêbados, 57% entre mil, têm entre 31 e 50 anos. Mais da metade dos condutores embriagados dirigem carro com mais de 10 anos de uso. Dos 38.000 acidentes de trânsito ocorridos no país em 2008, 45% foram causados por motoristas embriagados. No entanto, da parte do poder público, a justificativa para o aumento no número de multas e inquéritos é justamente um possível aumento na fiscalização. Isso já é um bom começo, mas não é tudo. Diante dessas estatísticas, o destino dos motoristas que dirigem embriagados no Brasil configura uma vergonha nacional. As leis brasileiras que tratam do assunto são brandas, e as punições, raras. Os infratores quase sempre são premiados com a impunidade. O motorista Jailton Alves da Silva invadiu uma praça em Carapicuíba, na grande São Paulo, e atropelou um comerciante e seu filho de oito meses. O bebê foi levado ao hospital e morreu. Jailton tinha consumido o equivalente a sete latas de cervejas. Ele já havia sido flagrado quatro vezes dirigindo bêbado, e nunca fora punido, a não ser multas, que não foram pagas. Evidenciado está que faltam políticas públicas de conscientização do cidadão, maior incentivo à educação, etc. Há omissão também na tomada de medidas enérgicas e punitivas para o irresponsável. A chamada Lei Seca é totalmente pífia, servindo de chacota para os criminosos. O bafômetro é pouco usado em todo País. É preciso lançar uma campanha para a realização de 1 milhão de testes de bafômetro. Estudo do governo federal mostra que apenas 9,2% de motoristas abordados já haviam sido submetidos ao teste. A Constituição Federal garante que ninguém é obrigado a produzir prova contra si mesmo. Por isso, o motorista pode se recusar a fazer o teste do bafômetro ou exames de sangue para medir o nível de alcoolemia. Na Austrália, a média que um motorista passa pelo bafômetro ao longo de um ano é de 14 vezes. Que diferença da nossa pátria! Legislação não resolve problema social, mas ela tem de existir no ordenamento jurídico para regulamentar a conduta das pessoas na sociedade. Lei frouxa incentiva a impunidade. Assim, além de políticas públicas, o rigor contra os assassinos e inconsequentes motoristas tem de ser maior. Tem de haver mais rigor contra motoristas bêbados no trânsito. Jesseir Coelho de Alcântara é juiz de Direito e professor |
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